quarta-feira, 23 de maio de 2012

Santa Aborrescencia...


Como entender que os castigos não fazem mais diferença como faziam antigamente. Lembro-me

bem que quando era de alguma forma repreendida ou me tiravam algo por conta de isso ou

aquilo errado que toda criança faz, eu sequer sonhava em praticar a mesma ação, que dirá

repetir acrescentando mais erros. Fico pasmada como tudo se torna diferente nos tempos de

hoje. Ontem mesmo falava com meu marido;"Mas o que mais tirar da nossa filha mais velha pra

que ela entenda que tem deveres e obrigações a serem cumpridas?"; Não tá sequer mais

assistindo bobeira na TV e continua tudo igual. Há meses vai mal na escola, já até repetiu

de ano, não gosta de cuidar-se nem de cuidar das suas próprias coisas, chega ao cumulo das

mais duvidáveis ações de desleixo. Já tinham me dito que essa tal aborrecencia era fase

difícil; Mas agora eu acho mesmo que quem inventou isso foi alguém aparentado com o Capeta.

notaram como chegamos a desconhecer nossos rebentos ao passarem para essa etapa?, Não é

mais criança, Definitivamente,Não!, Não é jovem e não pende de forma alguma para ter

raciocionios voltados para vida adulta. Horas querem ser cuidados por nós, horas nem nos

olham na porta da escola para os amigos não notarem qualquer afago e por ainda outras

tomam-se por terem psicologicamente uma idade irracional incompreensivel quando os vemos

pegando no pé do caçula, chorando por qualquer coisa e disputando atenção. Muitos dizem

que criança devia vir com manual, eu já acho que pra essa fase Deus devia ter inventado um

personal remediador de transtornos de comportamento. Nem com muita aula de auto controle e

terapias familiares dá para qualquer um sair safo desse turbulim familiar chamado "Vida

adolecente", O jeito é mesmo torcer para que se definam logo, cresçam logo. E no aguardo

disso tudo fico eu aqui a olhar pra trás sem saber onde anda perdida aquela garotinha de

cinco ou seis que parecia bem mais resolvida sobre quem era e o que gostaria de se tornar.

Onde será que andou crescendo essa menina que eu sequer tive tempo de me despedir das suas

meninices, laços e desejos bobos de comer brigadeiro á hora do jantar. Hoje pede ao pai

celular android e eu nem sabia que isso existia, pra mim era coisa daquele filme guerra nas

estrelas. Me fala ela com a mãe na cintura que eu reclamo demais e alguns dias, É! Nem

parece que passou tanto, Eu simplismente a repreendia e ganhava em troca um abraço de

desculpas gostoso. Horas em conversas me confunde com uma de suas amigas magrelas e

esganiçadas como ela e perde o tom e eu mesmo com o coração partido tenho que por meios que

nunca imaginei impedi-la de esquecer que quem manda sou eu. Vi tantas histórias de

terapeutas, padres e palestras, dessas que você assiste procurando saída de ver aquela

criança perdida voltar a ser sua pequena, e dentre elas vi Padre Léo que dizia parecendo

que era pra mim quando eu chorava por não ver um fim no afastamento que acabamos criando de

nossos pequenos diante dos venenos da aborrecencia; Você não tem que ser o melhor amigo do

seu filho, tem que ser Mãe, Pai." Me pareceu clara a ideia, tranquilizou-me naquele

momento, mas não topava ser inimiga dela e a busca pelo meio termo é terrível, a gente

sente que tá também perdido, e não há sequer como retomar a caminhada.Vi então associado na

minha cabeça que a minha micro empresa chamada família e maternidade não precisavam de

qualquer consultoria só de mais um pouquinho de fé na vida e diálogo. Ainda não sei bem ao

certo o que se deve fazer para ser Mãe x Amiga mas de fato estou como nunca tentando

apostar no que vem na hora á cabeça de mais acertado, dias dá certo, outros tantos acordam

e adormecem com decepções mas o que é fato de verdade é que nem mesmo com tudo isso e

pulando do trampolim ao fundo do poço todos os dias valeria um só dia meu sem essa minha

garotinha que não sabe ou ainda não entendeu que a razão de cada destempero meu é esse

grande amor que nunca acaba.

Lia Joca

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